Existe um senso comum de que ser designer significa desenhar muito bem e possuir uma imensa criatividade. O problema dessa visão é que ela não representa a essência do design em si mas apenas algumas das possíveis habilidades de um designer.

Pense em design como criar algo para um propósito, ou seja, projetar algo para que realize uma tarefa específica.

Quando nos voltamos especificamente para o design de interface estamos falando de construir o meio pelo qual uma pessoa irá dialogar com outra pessoa ou máquina. Tendo essa visão sobre o design de interface deixamos de lado aquele senso comum de ter o design como “embelezador de coisas”.

Uma interface mal projetada poderá gerar dúvidas no usuário de forma que ou ele ficará preocupado e focado em não cometer erros na utilização da aplicação ao invés de simplesmente utilizá-la para suprir suas necessidades ou ficará perdido e inseguro de forma que a experiência de uso o conduzirá a simplesmente não se aproximar mais daquele produto, interface ou sistema.

O papel do designer de interfaces do usuário (UI Designer) é projetar uma interface que não abra espaço para esses possíveis momentos de insegurança, deixar muito claro quais serão os resultados da interação com a interface (perceba que não estamos falando apenas do ambiente no qual o usuário está mas também de onde ele veio e para onde ele irá) e garantir que o usuário realize todas as ações e tarefas de forma simples e eficiente. Falando com outras palavras, o usuário “não precisará de um manual de instruções” e terá sua atenção totalmente voltada para realizar sua necessidade por meio daquela interface.

Ben Shneiderman, cientista da computação e professor do Laboratório de Interação Humano-Computador na Universidade de Maryland, College Park, desenvolveu uma lista chamada Eight Golden Rules of Interface Design que, como o nome já indica, apresenta oito regras essenciais para o Design de Interfaces as quais apresentarei a vocês a seguir.

Eight Golden Rules of Interface Design

#1 Mantenha a consistência

Utilizar ícones, cores, hierarquias, menus, call-to-actions e fluxos de uso similares em situações similares é essencial para construir uma boa interface e fornecer uma ótima experiência para o usuário. Quanto mais diferentes formas de interação maior a dificuldade que ele terá em utilizar uma interface por isso manter a consistência tem um papel fundamental, ela cria facilidade em assimilar aquele momento específico que o usuário está vivendo a outras situações previamente experienciadas, portanto, a decisão de qual ação tomar se torna muito mais simples e fácil.

#2 Permita que os usuários utilizem atalhos

Na medida que o nível de conhecimento que possuímos sobre uma interface cresce a necessidade de formas mais rápidas de interação para realizar uma tarefa começam a surgir.

Um exemplo para isso são os famosos Ctrl+C e Crtl+V, atalhos que permitem ao usuário mais experiente realizar uma tarefa, que antes demandaria um tempo maior, em alguns poucos segundos.

#3 Responda o seu usuário quando ele perguntar

Como comentei anteriormente, criar uma interface é desenvolver um meio pelo qual irá ocorrer um diálogo entre um usuário e outro usuário ou uma máquina, portanto fornecer um feedback das ações do usuário é como responder a uma pergunta que ele tenha feito para a interface. O usuário precisar saber onde ele está, o que está acontecendo e para onde ele será direcionado após o término de sua ação, isso exige que o feedback apresentado a ele seja apropriado, ou seja, deve conter algum significado compreensível pelo usuário.

Um exemplo simples para isso é a indicação de qual página ele está dentro de um questionário que possui dez páginas.

#4 Crie diálogos que indiquem o fim de uma ação

Dizer para o usuário que ele completou um ciclo é essencial. Permitir que o fluxo simplesmente acabe sem comunicar ao usuário causa a dúvida se a ação feita por ele foi a a ação correta. Não permita que seus usuários achem alguma coisa, dê a certeza de que a ação dele resultou em algo.

Para exemplificar tenha em mente um fluxo de compra de um produto via e-commerce, ao final da compra é importante informar ao usuário que o item que ele desejava foi adquirido com sucesso.

#5 Mostre uma maneira de reparar um erro

As pessoas não gostam que digam a elas que estão erradas, principalmente seus usuários. Toda interface deve possuir mecanismos capazes de evitar o máximo possível que o usuários cometam erros (foolproof), mas quando erros impossíveis de serem evitados acontecem devemos apresentar ao usuário uma forma simples, passo-a-passo de como solucionar o erro ocorrido o mais rápido possível.

Exemplo disso são os avisos que aparecem em formulários que nos indicam se precisamos corrigir algum campo de texto e qual deles corrigir.

#6 Deixe seu usuário reverter ações (famoso Ctrl+Z)

Uma das principais funções que toda interface deve fornecer ao usuário é de permitir que ele retorne uma ação ou até mesmo um grupo de ações realizadas durante a utilização. A função Ctrl+Z remove a preocupação do usuário de cometer algum erro durante a navegação pois ele sabe que será possível reverter o resultado posteriormente.

#7 Dê ao usuário a sensação de controle

Criar a sensação para que o usuário se sinta no controle permite uma certa confiança entre ele e a interface. E isso se dá na medida que as transformações do ambiente ocorram da maneira como ele espera que ocorram.

#8 Reduza a carga de memória de curta duração

O ser humano possui uma “memória RAM” bem curta, o que quero dizer é que somos capazes de armazenar aproximadamente cinco informações diferentes de uma vez durante um período bem curto de tempo. Por conta disso toda interface deve possuir hierarquias muito bem desenvolvidas de forma que permita ao usuário encontrar as informações que procura de forma rápida sem a necessidade de ficar anotando dados de uma página para comparar com outros dados de outras páginas “perdidas” na aplicação.

Conclusão

Entendendo a importância de uma interface e alguns dos pontos que devem ser levados em conta ao criar uma, percebemos que eles de fato determinarão se a experiência será boa ou ruim. Não se trata de deixar algo mais bonito, mas de tornar a experiência de interação entre uma pessoa e uma máquina a mais natural e tranquila possível.

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